sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Teoria das Cordas

O bêbado e o suicida
acordaram pontualmente as 6 am,
excepcionalmente felizes
e de bom humor.

Cada um em sua casa,
em sua dimensão.
em realidades refletidas
escovaram os dentes,
tomaram banho
e fizeram café com torrada.
uma coisa de cada vez,
e não tudo ao mesmo tempo
como sempre fizeram
todas as outras vezes.

o tempo estava compassado,
e cada atividade
refletia os paladares do bem estar.
o sol parecia ser mais terno
e as cores mais aromáticas.

Mas quando estavam saindo de casa,
passando pelo corredor.
pararam na penteadeira  para pegar as chaves.
olharam para frente
e se viram refletidos
no espelho,
um olhando o outro,
se encarando
para fazer o outro se lembrar de quem ele era.


se reconheceram,
e com um leve suspiro
olharam para a porta,
através do olho mágico,
como a esperar por alguém
além da porta.

Estava ali sozinho.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ad Nausseum

acorde
limpe
ame
coma
beba
crie
faça
vá (ad nausseum)

é o que grito mais alto.
abafa a outra voz.

trabalhe até suar, e não fique esperando.
a vida nunca te prometeu nada e a criação é o dom humano.

se dormir ė bom, viver ė melhor ainda, e as possibilidades deviam por si só, matar os demônios dos pensamentos ruins. não se fixe em ideias, e conheça o conceito de autosuficiência, pois a felicidade ė o caminho, e não o destino. 

um caminho sem atalhos ou ladrilhos, mas ė onde se deve estar.

e sobre a outra voz...
a que sussura em quarto escuro.
que dementa o dia inteiro
e que fere pela estrela.
tortura a esperança
e inibi o movimento,
não me deixa falar dela.
sei que hoje, não quero pensar nela.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Lendas da USP #001

Entre as tantas lendas da USP, tem uma que diz que, ate a década de 90, nos antigos barracões de anatomia da faculdade de biologia, tinha grandes tanques de formol com partes de corpos humanos mutilados... Tanques com muitas cabeças, braços e pernas flutuando sobre uma gosma esverdeada, disponíveis para os estudantes observarem o maravilhoso funcionamento do corpo humano.
Esses corpos eram praticamente de indigentes, e na porta da sala, na altura dos olhos, tinha uma placa com os seguintes dizeres: esses corpos são de mendigos e vagabundos, e que só após suas mortes, estão fazendo algo de importante. rezem pelas suas almas, antes de entrar nesse galpão.
enfim... ė o que dizem...

sábado, 15 de abril de 2017

A M A R T E

se amor ė guerra, 
amar-te 
há arte 
em marte.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Malboro Branco

Uma mulher branca estava na passagem, entre a estufa de salgados e o caixa de uma padaria chique.

Com o objetivo de comprar meu cigarro, fui caminhando pela passagem, obstruída pela senhora que carregava uma grande bolsa ostentando orgulhosamente as insignias da DG. Ao perceber que ela não se movia, pedi licença. Ela permaneceu imóvel, como se não tivesse me ouvido. Com a voz firme e um leve toque em suas costas, pedi licença novamente. Nada aconteceu. Irritado, atravessei a estreita passagem, derrubando a bolsa de seus ombros.

Troca de olhares faiscante. Mal-educados por mal-educados, decidi não prolongar a confrontação.

Já na fila, ela se posicionou atrás de mim, reclamando que tinha chegado primeiro e que alguém estava cortando fila. Não se referia aos advogados à minha frente, é claro, mas ninguém parecia se importar—nem com ela, nem comigo—, e logo se calou.

Ao sair da padaria, desembrulhei o maço com calma, observando a leve garoa que caía. A mulher apareceu ao meu lado, igualmente perplexa com a chuva. Acendi um cigarro e, calculadamente, baforei a fumaça em sua direção.

Continuei caminhando sob a chuva fina, enquanto a ouvia murmurar: "Abusado".

Em momento nenhum ela disse os motivos de se indispor comigo... mas naquele silêncio indisposto, a gente sabia o porquê...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

carnaVRAAUU! tsc, plim plim, rs

Festa da alegria, da comédia, do exagero, do ridículo.

Com ingressos a partir de uma córnea, todos aplaudem a Sapucaí. Ali no meio da avenida a cultura da quebrada, organizada por bixeiros, patrocinada pelo governo, brilha em brilho e cores de bandeiras. Povo negro do morro canta com todo orgulho sobre seus orixás. Elite branca na platéia aplaude com amor... porque preto bom é assim, de longe como um bobo da corte.

Espetaculização.

Amanhã tudo vira cinzas...

Voltemos a Brasília...

Mas na rua não...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Coisas Danadas

Ela chega bem safada. 
Só calcinha e sutiã. 
Sussurra na minha orelha, 
coisas danadas
para fazermos 
até de manhã.