12 de novembro de 2013

Politicagem Imoral

Se tinha uma coisa que deixava Joaquim feliz era ajudar seu país a ser um lugar melhor.

A manifestação contra a corrupção foi uma das mais cheias que o jovem manifestante já viu. Todo o povo feliz com o rosto pintado de verde e amarelo cantando o hino nacional e gritando contra um ou dois senadores que foram pegos tentando desviar dinheiro público para algumas ilhas do caribe.

Naquela manifestação Joaquim estava sozinho, sem seus amigos revolucionários, que disseram que dessa vez iam ficar manifestando pela internet. Joaquim não gostou da atitude deles, e fez questão de tirar várias fotos e postar em todas suas redes sociais para mostrar como ele era realmente ativo com a politica nacional.

Com sede, depois de tanto ativismo, resolveu passar em um bar e pediu uma garrafa d'água:

- 3 reais - disse a atendente que estava com um crachá escrito "em treinamento" com letras garrafais, mas que em lugar nenhum estava escrito seu nome.

Joaquim tirou de sua carteira uma nota de 50, a única nota que tinha.

A atendente trouxe a água e seu troco, que logo Joaquim conferiu, e percebeu que ao invés dela ter devolvido 47 reais, ela devolveu 97. Seu troco, mais a nota que Joaquim acabou de tirar da carteira.

O jovem viu que a atendente já estava com outro cliente do outro lado do balcão.

Ele pegou sua água, deu um longo e gostoso gole e foi embora satisfeito, porque naquele dia ele fez sua parte com a mudança do país.

7 de novembro de 2013

O Mais Miserável Manifesto Artístico de Todos os Tempos - vol. I

E hoje mais uma vez fui criticado sobre as coisas que escrevo e publico.

Pois logo disse que ele não faz ideia das coisas que escrevo, e não publico.

Me veio com argumentos politicamente corretos, e disse que simplesmente não tem graça, ou que não faz sentido algumas coisas que eu escrevo.

Disse que era crime!

Palavras de preconceito... puff.

Afinal, o que veio primeiro?

O crime ou a piada? A piada ou o crime?

Acho que a seguinte questão é: do que posso falar, e do que não posso falar?

Expressão artística não é desculpa!

Na livraria vi um livro chamado "isso é arte?" discutindo essa bendita arte contemporânea que vivemos.

E outro dia vi um jovem que perdeu a virgindade anal em nome da arte... Pois é, cada um expressa do jeito que convêm.

Sério, sabe o que eu acho?

Acho que posso falar de tudo e de todos.

Afinal, são os meus pensamentos, minha forma de pensar. E se uma piada não deu certo pode ter certeza que não foi feita num sentido depreciativo.

O difícil é declarar algumas coisa num mundo onde a linha do humor e do crime seja tão tênue.

Alias, a expressão "humor negro" já algo racista.

Porque o humor que não presta tem que ser o negro? Não poderia ser o caucasiano ou o índio?

"Humor da raça ariana - o melhor"

Bendito (ou maldito) seja o SIR. Monteiro Lobato: Preconceituoso do caralho que todos aplaudem.

Sim sim, outros tempos.

Eu sei.

Chega!

Alias palavrão agrega ou não grega valor?

Alias, o que agrega?

Nos meus humildes pensamentos, arte é uma forma de expressão do sentimento, seja ela feita em qualquer uma das nove plataformas citadas por Claude Beylie.

Um jeito de contar uma historia.

O que eu faço?

Eu escrevo.

Expresso sentimentos por palavras (por mais ruim que seje meu português).

Para no final, eu ser julgado sobre o que é licito e o que não é licito dizer?

Argumentos como os citados, são os mesmo que comediantes, deputados e organizações nazistas e racistas usam para disseminar seu ódio, e daqui retorno a questão cerne: o que veio primeiro, o crime ou a piada?

Pois é jovem gafanhoto, pimenta nos olhos dos outros é refresco.

ontem, por exemplo, descobri que tenho um amigo que morre de ri com qualquer piada xenofóbica que lhe é contada.

QUALQUER UMA!

São todos argumentos sobre ser livre, sem interferir na liberdade do outro.

tsc tsc.

Mas o que eu, escritor amador de merda, que nem domina o básico da língua portuguesa quer falando disso tudo?

Do que estou querendo me defender se nem as pessoas que mais importo lê o que eu falo?

Nem meus pais, nem meus primos, nem meus melhores amigos, minha namorada e meus colegas de bar... Ninguém.

Não escrevo pra eles, mas como já diria Chris McCandless - "felicidade só é real quando compartilhada".

Arte, arte, arte. Mas que desculpazinha esfarrapada!

Isso é arte? (além do titulo de um livro vendido por apenas 59,90 na livraria cultura para clientes +cultura). O que é arte?

Liberdade de expressão vai ser o que o juiz vai me responder em tribunal. Tentei aqui dar um manifesto, e falhei miseravelmente, onde não consigo nem me expressar sem ofender alguém, e não chegar a uma conclusão sobre o que pode e o que não pode.

Quantas questões.

Sempre é mais fácil desistir.

Afinal, porque eu tanto escrevo então?

Pra quem?