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quarta-feira, 26 de março de 2025

Prazer!

Sou do Audiovisual.

Eu dirijo, edito, fotografo e escrevo.

Sempre esteve aqui. Em cada frame das minhas veias. Das ideias de Glauber às estrelas de Lucas, narram como Scorsese uma sequência em 24fps. No reino de Vertov, o kino-olho desafia os dogmas de Von Trier, enquanto Coutinho canta 2001 formatos simétricos de Kubrick, o mestre, entre tantas outras referências da Noiva.

Corta — Revelou dele, o plano de Spike, o sem sonho, e Peele reluziu. Feito Dadinho, empunhando seu caderno, claquetou:

Filho de Heru, Sol e contador, sou eu.

Do Cinema à Tela Preta, O Diretor, Sou Eu.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Cinema e Negritude

 “O século XXI pertence aos contadores de história”
— Emicida

A jornada do herói, tão difundida no cinema, tem suas raízes na jornada de Heru (Hórus), um mito de fundação do Egito Antigo. Este conceito, amplamente estudado por Joseph Campbell, tornou-se uma das bases mais utilizadas para roteiros nos últimos 100 anos do cinema americano.

Por que falar sobre contar histórias? Porque o cinema, em sua essência, é uma poderosa forma de narrar histórias. Embora muitas delas tenham nascido em solo africano e com protagonistas negros, o cinema, assim como outros campos do conhecimento até a primeira metade do século XX, ignorou amplamente a presença das pessoas negras.

Há apenas sete anos entre o fim da escravidão no Brasil (1888) e o início do cinema em Paris com os irmãos Lumière (1895). Por ser uma área historicamente elitista e de alto custo, a presença negra no cinema sempre enfrentou barreiras, resultando em absurdos como o filme O Nascimento de uma Nação (1916) e na falta de representatividade que ainda vemos nas telas hoje.

Criar a nossa própria produção cultural, é um dos caminhos que temos para criar um mundo mais justo e livre do racismo.

Como exemplo, podemos analisar a produção cultural judaica em comparação com a afro-diaspórica, numa discussão levantada por Victor Ferreira, repórter da Globo. Essa análise nos ajuda a entender as diferenças entre modelos de produção que valorizam e propagam suas histórias.

Estamos vivendo um momento histórico para a produção de conteúdo negro, com muitos criadores contando suas próprias histórias e construindo uma produção cultural consistente. Por isso, iniciativas como esta, que amplificam vozes negras, são cruciais, oferecendo oportunidades para que possamos narrar nossas próprias histórias de maneira autêntica e transformadora.


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Novas Narrativas de Resistência

Em épocas de prêmios e festivais, é importante observar as tendências nas narrativas e histórias contadas. Mesmo com oscilações políticas que valorizam ou ignoram a cultura nacional, as histórias do povo sempre encontram sua vingança na arte.

Das premiações internacionais às nossas, temas recorrentes dialogam com realidades compartilhadas. De palhaços que refletem os resíduos tóxicos da sociedade urbana a uma família desamparada que questiona quem é o verdadeiro parasita do capitalismo, chegando à resistência de virarejos. Histórias que traçam um panorama poderoso sobre as pressões sociais que moldam os indivíduos.

Coringa, Parasita e Bacurau.

Embora esses temas não sejam novos, essas obras trazem um tom mais reativo e revolucionário, como gritos vindos de uma cultura resistênte. Esse movimento de empatia com os mais vitimizados ecoa em festivais como o de Tiradentes, que defendeu a criação de narrativas mais esperançosas e afetivas.

Mesmo diretores consagrados como Quentin Tarantino alinham-se a esse discurso. Em Era Uma Vez em Hollywood, ele transforma a vingança em justiça histórica, dobrando a realidade para criar finais que desafiam opressores, como em Bastardos Inglórios e Django Livre. Vingança e revolução ganham novos significados.

Ainda assim, é válido questionar: para onde vai esse ativismo? Ricky Gervais criticou no Globo de Ouro artistas por militar em premiações, e a ironia de ricos falando de problemas alheios é evidente. Protestos, como os de Kleber Mendonça Filho em Cannes de 2016, levantam dúvidas sobre a conexão desses discursos com a realidade.

Apesar disso, filmes como Bacurau e Democracia em Vertigem continuam indispensáveis, mesmo que ainda falhem na representatividade. Em 2020, a presença de mulheres e negros nas premiações permaneceu baixa, apesar de anos de luta. Contudo, grandes nomes como Spike Lee e Jordan Peele lideram mudanças relevantes, mostrando que "nós por nós" é essencial.

Ao olhar para a periferia, encontramos um cinema brasileiro mais esperançoso e revolucionário. O curta Negrume, de Diogo Paulino, representa essa nova era: identitário e transformador. Que filmes como Marighella sejam reconhecidos por suas vozes amplas e claras, não por censuras.

Que essas narrativas tragam esperança e ferramentas para um futuro mais justo.

sábado, 20 de julho de 2019

Classificado

Jovem negro periférico formado em audiovisual procurado emprego fixo na área, reclamando do elitismo branco burguês dos detentores dos meios de comunicação e lendo artigos sobre o desmonte atual da ANCINE, lembrando que em 1994 apenas dois longametragens foram produzidos no país, devido ao programa Nacional de Desestatização lançado pelo então presidente Fernando Collor, determinando a extinção da Embrafilme, produtora e distribuidora estatal que ajudou a colocar no mercado mais de 200 filmes brasileiros entre 1969 e 1990. Sem a Embrafilme, a produção nacional ficou à mingua, desamparada num mercado predador dominado por filmes estrangeiros, sobretudo norte-americanos.

São tempos de glória para os ignorantes, e cólera para todo o resto.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Letralonga

1.
paguei de roteirista,
poeta ou escritor.
sem ética ou disciplina,
em quantidades expelia.
- se foderem na gramática
de tanto que estudei,
arrotei ganância e cansei.
mas algo deve ser verdade
pois quando estava carburado,
em neblina de erva green,
a bic deslizava
em sem pautas de moleskin'

2.
maria conheceu joana,
papel bolado em confusão,
lápis de mente dinâmica
todos postos em ação.
tinha dias que falava de maria,
sentimentos e coração.
já em outros era sobre joana,
coxas grossas, cabelos soltos,
era sempre monotema.
tamanha, dava aflição.
então as duas foram embora
e atadas ficaram minhas mãos.

3.
em conta gotas digitei,
como executivo, captei.
produtor de fluxo narrativo
em curva dramática,
independente da marca
sem um grande sucesso global,
clica e edita,
que ė mais ideal.
deixe que o diretor decida,
qual caso vai pro final...
-
mas em curtas de sonho alto,
ė longa que vem de baixo.