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domingo, 7 de dezembro de 2025

A Obra Completa

Prelúdio 

Se existo na ideia hipérbolica do amar, eu vi. Mas quando o vivi, soube logo quem não me era, nem dele o que me pertence. Logo, entre o mito e o rito, me atrevo no intento de criar desta carta, a minha e apenas minha, maior declaração de amor de todos os tempos.

Verbo Ver
Eu vi. Eu juro que vi. 

Quando nos vi em festim, não me apareceu como ilusão nem como visão, pois estava ali. Eu vi. Como um motorista embriagado ou um andarilho esfarapado num oásis sem sentido, pois de tudo que em mim sentia sede, queria então beber em ti.

Mesmo sem te conhecer, ainda cego, já sabia que seria você. Encontros assim não são feitos pelo acaso, e sim pelo destino, pelo que já está escrito. Previsto. Ao alvorar já sentiria no fundo do meu coração que aquele seria o dia, o dia em que te encontraria. Olharia com muita calma pra te procurar, e quando minha pupilas dilatassem e meu coração acelerasse, saberia que era tu.

E na loucura do esclarecimento me gritei de deus do amar. Eu tinha certeza. Não sou louco, maluco, biruta ou demente. Me foi ensinado o que era isso, e disto tenho certeza daquilo que me vi. Era a realidade e realidade seria. O dito é dito.

Ínicio. Já era verdade no tempo antes do próprio tempo. Tão ínfimo que nem chegava a existir, mas existia. Alfa e omêga, eterno e infinito, além do que não pode ser, sem que nada possa ser, mas era. E se aconteceu, há de acontecer, pois a veracidade do fato é a constante dessas existências. Nada não era, já que vi que o que era. A minha e a sua. Juntos como uma só, a única e inexorável linha do tempo universal, a nossa linha existencial.

Vide esta, daquele dia naquele não tempo, quando chegamos naquela casa vermelha que era nossa. Foi incontestável a verdade de um novo lar. Chegamos, passamos café e conversamos num sol inteiro, batendo papo, sempre igual, como sempre aquém.

Nos sentiamos em casa, a vontade, exatamente como a nossa casa deveria ser. Tiramos as meias e os sapatos, colocados dispostos um do lado do outro no cantinho da parede. Andamos descalço e sentimos o frio do piso branco. E tudo que eu via, era, pois mesmo não sendo, estava ali. 

Do toque dos dedos e na falta de jeito criava o mito. Um clichê de cinema de um romance pasquim dessas manhãs de primavera.

Imensurável. Dos infinitos dialetos das incontáveis culturas sociais que existem já prova. Combinações de letras e símbolos que, por si só, na própria escrita, comprova. Todo e qualquer som emitido por todo e qualquer ser, é o grito do que há. Uma música primordial com todas suas notas musicais em dança numa festa para os deuses que provam da iguaria nas mais belas vestimentas. Um desenho, uma construção. Uma pintura que esculpe a forma de nós dois sob um altar. Eu vi, te coloquei lá.

É nítido. Existe, por isso não deixa de ser visível, logo, sempre desacredito naquele que se diz invisível. Indivisível das leis que não multiplicam.

E essa realidade não é realidade apenas na nossa realidade. Eu vi em outros universos, dos que existem e nos que não existem. Pois esses outros mundos nascem dessa rotineira dúvida e questão de nossa própria contradição. No mero ato de pensar, recria. Se cria outro caminho num rumo com destino após nós. 

Eu vi, eu sei que vi a súbita e pequena semente de um mundo sem a nossa dicotomia, de um mundo sem eu e você, um mundo seu eu, ou um mundo sem você, é impossível, impensável, pois é o único e verdadeiro Verbo absoluto. Única e incontestável realidade. É tão simples que chega a ser difícil: Não existe outra realidade sem nós dois juntos.

Desta infinidade, o único mundo que não existe, logo é o mundo onde sob circunstância alguma existe. Tanto você quanto eu. Pois o único suspiro de um de nós, em qualquer mundo que não exista outrém, é o bastante para a existência obrigatória da nossa outra contraparte: Tu vem e me entretem.

Se existe porque vi, sei de tudo o que não vi, que se for pra existir ordeno logo a construção desta obra completa, grandiosa assim, pois foi assim que vi, pra poder enfim, eu te ver a mim.

Interlúdio I
Além do espelho senti.

Percebi então em consenso que não sei o que vi. Do presente eu vi o futuro como se o futuro fosse o presente. Eu me vi ali. Sem nenhum resquício de dúvida, não tive certeza das coisas que eu sei que vi em ti, mas que fui entendendo na verdade só cabem a mim.

Verbo Saber
Eu sei. 

Eu sei que sei. Da forma como sempre foi. Faço contas para entender o porvir mas leio sem compreender.  Da janela vejo o arco da queda da primeira folha quando o inverno chegar. Inevitável. Da forma como sempre foi, e não somente porque vi, mas porque no fim de mais um ciclo, aquela folha estará ali de novo assim.

Afrodite, me chamando de filho, ao meu ouvido me demandou — Eros, desça do altar teu que a tu criou e faça tua d'Alma se apaixonar pela pessoa mais miserável da criação à extinção. Então foi lá se apaixonou por mim? Formidável. Manchete de clarim.

No nosso sobrado carmin, brincando com o que ainda está sobrando, de tarde você você vem a mim. Sobe a escadaria enquanto estou cortando. Partir. Me oferece um copo d'água e minto. A matemática do mito. Não foi só fórmula, mas eu sei o resultado exato. É abstrato. Não construído, subdesenvolvido. Imaturo como uma subtração sem resultado anotado, mas que se sabe até o último numeral desse tablado. Cálculo de cabeça que não diz que se engana. Me engana. 

Disso que não vejo, eu vi e sei da somatória de todas as minhas próprias imagens por quem me apaixonei.

Fui charme, desejo e sedução. Paixão que cega o prazer que vira vício. Não racional, Atena, frio. Quem me ensina pela inteligência ou Ártemis, interdependente que corre livre despertando fascínio e frustração. Mostrei limite e controle. Fixação, compromisso e tradição. Era tudo que Hera. Encoberta de ciúmes, cobrança e obrigação. Esse era o preço da pureza e do encanto da esposa de Hades, soberana em magia e intuição. Não escuto e sou seu trauma, Medusa, me induza e vingança. Soberba de querer voltar ao ventre — Entre.

Sempre quis chegar em casa e encontrar com Gaia, descalça ao chão. Eu sozinho e completo enfim. Não entendo minha mulher e o menino com ferida ancestral, mas os conheço bem, pois em tu, me parece também.

Você é o que eu sempre procurei por toda a minha vida. Exatamente o sentimento que nunca senti, porém estava sempre à procura, como um caçador muito bem atento. Procurei em todos os espelhos a felicidade que não encontrei, e fiquei com saudade muito antes de sequer me conhecer, olhei e me afoguei.

Você implorava — Olha pra mim, e te elogiava louca, pois daquilo que me decidi, nunca encontrei em ti. Acha mesmo que vá olhar agora pra mim?

Já estava a minha espera. Pois na minha vida, já sabia que existia em algum lugar além. Procurei em ti, e assim que dos dejetos apareceram pelas beiradas estrambelhadas, te vi ali pela primeira vez. Despida me despedi,  pois já é fato ordinário que me pertenço a mim, sem nem precisar de ti. 

Não era mais só sobre mim, eu soube no fim.

Eu vi em nós, você. Eu sabia, e repetia. Era um vício que tinha e me deu nojo e atração te ver ali chorando encolhida na nossa mansão. Mas que puta tesão.

Interlúdio II
Eu sou.

Filho do sol e das Musas, Orfeu que desceu com intensidade, mas abandonou quando a realidade dobrou. Orestes, julgado. Culpado antes mesmo de errar, o que sabota porque não acredita que merece o que quer desejar. Rolava pedras de volta a mim, como quem empurra a dor do alto, só pra vir esmagar outrem, ontem, again.

Enceno. Humor. Não lembro quem sou. Perdido no meu cenário enceno o que não é lembrado. Está encerrado, não me pareço mais com uma pessoa, Persona, a máscara já havia sido criada e estava lavada.

Verbo Sentir
Há mais de uma década me manifesto por aqui. A maior carta do universo. Má me chama de arrogante — Quem você pensa que é pra escrever sobre esse amor tão lindo, porém sempre arrogante? Mais um gigante. Megalomaníaco e rejeitado.

Escrevo em grandeza da pequeneza que me vejo. Me vejo aliviado. Do porão do casarão escrevo pra mim, leio e releio minhas palavras vazias, preferindo papel e caneta. Poesia organizada à cadenciada. Recrio o altar, quero ser visto e admirado.

Me escondo através de letras doces que sei que querem ouvir. Se amor é arte, à Marte. Mas me protejo, projeto. Não quero que todas as pessoas fiquem sabendo se estou bem ou mal, se passei por uma decepção amorosa ou se estou apaixonado, afinal, não sei quantos dos meus amigos realmente rezam pelo meu bem.

Acredito naquilo que me convém, mesmo ciente que minha verdade, não é verdade. É tão bom viver a situação como se ela fosse durar pra sempre, mesmo sabendo no fundo que não é real, e por que? Se eu já sei que não é sincero porque me permito acreditar que possa ser? Minha vida é tão cômica. Eu sou o gênero. Deus só não ri de mim lá de cima em sua santidade, porque me salva dos vários tantos outros pecados que cometo. Amén alguém.

CONFESSO que estou chateado comigo. Mesmo vivendo momentos com pessoas especiais, ouvindo coisas que agradam, me permito acreditar mesmo sabendo que não é algo concreto, onde eu possa depositar o meu amar sem projetar.

Então tenho que ter plena consciência que ninguém será o responsável no momento em que quiser que minha fantasia se forme em rotina. Naquela casa vermelha nunca teve alegria. Somente eu. Culpado, por seguir numa jornada de me envolver por escolha própria em algo que sei que nunca dará em nada.

Mas agora, nessa altura das bodas do fecho, da sacada descobri serem brancas as paredes da casa que te convidei. Parecia rubror, pois sempre sangrando em escarlate estava. Bem aqui, na saideira, havia pressa pois precisava em tudo retocar e limpar pra trocar seus retratos pelos os de outro alguém. Um vai e vêm. Não resisti, pois se no fim não deixasse você partir, era eu quem racharia. Projetei em ti a responsabilidade do meu ver e saber, mas que na real, sempre fora tudo sobre este meu mais louco festim do sentir.

Epílogo
Em pé, do espelho portanto em resumo falho, pois sei que faltei em mim. Exagerei na meta. O que te Prometeu todas as promessas que para ti ofereci, só consegui te entregar essa obra incompleta que só vê a mim.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A Musa

No princípio era o verbo.
A primeira Ideia
dentre toda a história das ideias.
Mitológica.
Da ordem arquetípica
daqueles sentimentos perpétuos.
Num mar inquieto,
reflito o que não vejo
mas o que quero.
Um cego que não se enxerga
mas que sempre mergulha,
se afoga,
e resurge seco.

Amar.
Infante guiado - Amor enganado.
Cuidado.

A ideação e idealização.
Daquilo que me vejo,
delírio e elogio
do que me falta - ao avesso,
tenho sede
que escondi de mim.
Sempre mudo de assunto,
...enfim.

Mas tu és aurora.
Nova história mal contada,
um velho conto de fada.
A rara lenda
dos salões erguidos do silêncio,
que já ouvi em mil.
E mesmo que nunca te vi,
sem rosto,
me arrepio.
Finalmente,
serei então bem visto -
mesmo que escondido - Maldito.

Portanto,
imputo a ti,
todos os meus encargos,
daqueles que nunca quis cumprir
com medo de me conhecer:
Gerencie o projeto de me completar.
É simples,
não dá para errar.

Só te peço, porém,
que não te falte coragem
de me compreender
ao mirar vulnerável
aquele que rasteja atrás desta bravata
do herói que nunca existiu.

Mesmo assim, de noite,
com lâmpada trêmula,
ascendeu a luz do desejo
de ver o rosto do meu amor.
- O espelho racha
e enxergo ardor:
Se incendeia o véu do culto que te fiz.
Ao cair da escadaria do pedestal,
no julgamento do último sol,
- me vi só.

Voltei então ao meu labor.
Colhi entre espinhos o trilho perdido,
Desci. Despi.
Dos ecos que me gritavam
criei cantigas de louvor a mim.
No vazio da musa
que nunca existiu - finalmente,
meu olhar me viu.

Nunca foi pessoa -
projeitei.
Nunca teve corpo -
fantasiei.

Porque, na sombra de quem sempre fugiu,
meu escuro
me fundiu.

Tirei a venda,
assombrei a lenda.
Acendi uma tocha na tormenta
e pude finalmente beber
da fonte do prazer de amar
sem altar.

domingo, 23 de setembro de 2018

Açúcar

Joguei açúcar nos ouvidos para escutar de novo a doçura da sua voz. 
 Plantei uma flora completa para simular os seus aromas. 
 Mergulhei entre cachoeiras de cristas suaves, pra imitar o deslize de seus cabelos. 

Escalei o olimpo, guerrilhei com os deuses e roubei o néctar dos seus beijos. 
 Pulei em queda livre para o núcleo de um sol em expansão, 
 pra me aquecer dos dias sem você. 

Já então velho e acabado, construí vilas e impérios, 
criei vida e poli mundos 
só pra chamar de lar 
e tentar emular o aconchego do abrigo do seu olhar. 

E mesmo após todos esses trabalhos, 
não suei um terço do suor de uma noite de nosso amor, 
e não fiquei um porcento feliz, 
comparado ao que me faz um abraço seu.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Conceito de Um Só

a egocentria consiste

no mal de escutar eu,

de sotaques tão lidos

e acordes já conhecidos.

não precisa entender vós,

com problemas alheios

ou enfermos efêmeros.

de circunstância além de mim,

é fim.


e digo isso porém

sem todo aquele vai e vem,

de chamego gostoso

que entretêm.

te quero tão bem,

meu bem.

mantém,

os brindes recheados

de sorrisos trocados,

as letras distintas

que tecem e que pintam.

ouvido afinado,

como o paladar apurado

de um garoto viajado,

e toda sua descrição.

pois, se a vida não for disso,

desisto.


casa,

pertence à circunstância de nós.

de amar e ser amado,

sobre não estar sozinho.

sábado, 15 de abril de 2017

A M A R T E

se amor ė guerra, 
amar-te 
há arte 
em marte.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A Última Mulher

venho por meio desta
expressar meus mais exacerbados sentimentos.

incongruência, incoerência,
confusão, desarmonia e contradição.

material ilógico de linhas paralelas,
ponto fora da função
ou da caminhada destinada.
quando o 'isso', vira, 'aquilo'.
des-percepção da realidade.
como se os fatos ocorridos,
tivessem passados no espaço
de um mero e efêmero
piscar. além.

a des-existência do real palpável.
hoje eu existo,
o amanha não mais.
sobre o ir embora sem se despedir,
sobre o acreditar sem existir,
sobre real e imaginário,
muletas e quedas,
amor e desamor.

Mas ainda escuto ben jor esperando o telefone tocar novamente...

mas essa é só mais uma história dela.
a última mulher por quem me apaixonei. 

domingo, 30 de agosto de 2015

Boa Noite

sempre que dizia boa noite, lembrava-se dela.

em tempos conturbados e confusos, e sob a visão de algo novíssimo, ele apenas queria ser ser alguém normal, sem pretensão ou exigências. tomou como filosofia de vida a rotina, parou de pensar no destino, e sim no processo do caminho. poesia

quando a conheceu não queria pensar nela, mas seus olhos se fundiram, não por necessidade, mas por correspondência.

"ė areia demais", eram o que todos diziam.

"aconteceu", era o que pensava.

sua fala era calma e adiante, sem pausas ou tremedeiras. a voz e o pensamento enfim trabalhavam em uníssono, como um sistema mecânico perfeito e sem defeitos.

bom dia na alvorada, boa tarde no almoço e boa noite como um desejo pleno de que nada catastrófico acontecesse até o próximo bom dia.

e em tempos tão rudes e maléducados, se perde os bons costumes subvertendo-se em convenções formais demais para a agilidade urbana.

mas ele realmente queria que ela tivesse uma boa noite.

ele mesmo tão sem pretensão, percebeu nela os sinais de que o desejo não era apenas seu, de que não estava maluco ou vendo coisas, de que de alguma forma ela se interessou.

naquela festa a viu de longe, sempre tão cercada e requisitada. "é areia demais" pensou. 

não conseguiu lidar e fugiu, fez más escolhas, mas resolveu voltar ao perceber de que não precisava conquista-la, pois ela já era sua.

conversaram tempo demais para o tempo real, mas viveram bons momentos para o tempo vivido.

foi só então naquela noite, naquela noite, que tiveram uma boa noite.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Métodos Arcaicos

Gostei de você.
É sério.

Gostei do jeito que você cruza as pernas e da marca vermelha que fica nos joelhos.
Gostei do jeito que finge não prestar atenção, mas sorri ao ouvir as histórias ao seu lado.

Seu sorriso.
Fácil.
Gostei dele. É sério.

Gostei do jeito que sorri quando lê uma mensagem no celular.
Provavelmente algum pretendente apostando no seu riso. Preciso.

Então, me apresento em armas:
Não sou poeta, mas pretendo ser.
Escrevo sobre coisas inspiradoras.

E tenho uma mania terrível.
Costumo guardar todos os meus poemas em cadernos, pastas ou no HD.
Sendo assim, me pergunto:
como vou ter este texto,
se o entreguei para você?

Por isso, te peço algo — coisa que nunca fiz antes!
Me devolva este texto.
E preciso te conhecer.

Mas não tenho celular.
É sério.

Acredito mais nos benefícios dos métodos arcaicos:
o poder da poesia e desta carta para você…

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Loucura e Contenção

Deixe que falem
que sou sujo,
imundo,
mal, vil,
canalha e calculista.
Deixe que pensem.

Pare
e volte.
Porque escolhi você?

Eu sou loucura e você contenção.
Furacão em ebulição,
Controle total da aeronave.
Eu sou espuma querendo vazar,
você é a triste forte borda que tenta me segurar.

Eu sou rua, você é casa,
eu sou amigos, e você pai e mãe,
eu sou droga, e você a reabilitação.
Eu sou o cigarro, e você o bruto carinho de arrancar e rasgar as minhas cinzas sombrias de uma alma em perdição.

Eu sou os poemas perdidos de um poeta,
ou as lágrimas por um cadáver familiar.
Você é o otimismo de escrevê-los,
ou os dizeres reconfortantes de que o morto está num lugar melhor.