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sábado, 13 de junho de 2026

Inferno Divino

Você está no inferno por acreditar que seja o melhor lugar pra você.

Pensa, e fica preso.

Por quanto tempo se agarra na racionalidade?

Porque tanto tenta entender os maus caminhos que tomastes?
Feito um drink duvidoso numa tarde noite da Augusta. Inferno.

Qual a punição pelo mau que escolheu a si?
Consciência. Vergonha e Verdade.

Se perde o prazer, a paixão, o caminho.
Afinal, por onde anda alguém machucado, marco e consciênte dos seus próprios maus?

Espie. Tu merece o sofrimento.
Sofra, mas purga.
Limpe, expurgue, purifique e remova de ti todo esse mau.

Pois da palavra dos outros,
repetidas vezes acreditou que tu és ele,
o próprio diabo da própria vida.

O mau.

Não é condenação,
mas condena o credo de aceitar, viver e desfrutar dessa própria insuficiência.
Uma divina comédia.

Desça ao inferno e reconheça essas sombras,
confronte,
enfim, perdoe.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Dilúvio

De novo o mundo se afoga, e as histórias são sempre as mesmas, só muda o contador. Reparecem dizendo que o mar avançou e os céus desabaram. Berram que a terra inteira foi engolida pela água. Alagada. Gilgamesh contou na Suméria, e os gregos escreveram sobre Ulisses, o que fez o caminho. Entre os povos da América, o dilúvio veio como castigo e bênção, e na Bíblia, chamaram de Noé.

Porque toda história, por fim, recomeça. O caos engole, mas não enterra. A Fênix some nas cinzas e volta cantando. A maré sobe e depois recua. A vida cai, mas levanta sabendo que o chão continua ali.

"Feliz pelo que ainda não veio e saudades do que nem foi. Esperando o melhor dos agoras, sem termos o antes, e já queremos o depois." – Nação Zumbi | Novas Auroras

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Teoria das Cordas

O bêbado e o suicida
acordaram pontualmente as 6 am,
excepcionalmente felizes
e de bom humor.

Cada um em sua casa,
em sua dimensão.
em realidades refletidas
escovaram os dentes,
tomaram banho
e fizeram café com torrada.
uma coisa de cada vez,
e não tudo ao mesmo tempo
como sempre fizeram
todas as outras vezes.

o tempo estava compassado,
e cada atividade
refletia os paladares do bem estar.
o sol parecia ser mais terno
e as cores mais aromáticas.

Mas quando estavam saindo de casa,
passando pelo corredor.
pararam na penteadeira  para pegar as chaves.
olharam para frente
e se viram refletidos
no espelho,
um olhando o outro,
se encarando
para fazer o outro se lembrar de quem ele era.


se reconheceram,
e com um leve suspiro
olharam para a porta,
através do olho mágico,
como a esperar por alguém
além da porta.

Estava ali sozinho.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ad Nausseum

acorde
limpe
ame
coma
beba
crie
faça
vá (ad nausseum)

é o que grito mais alto.
abafa a outra voz.

trabalhe até suar, e não fique esperando.
a vida nunca te prometeu nada e a criação é o dom humano.

se dormir ė bom, viver ė melhor ainda, e as possibilidades deviam por si só, matar os demônios dos pensamentos ruins. não se fixe em ideias, e conheça o conceito de autosuficiência, pois a felicidade ė o caminho, e não o destino. 

um caminho sem atalhos ou ladrilhos, mas ė onde se deve estar.

e sobre a outra voz...
a que sussura em quarto escuro.
que dementa o dia inteiro
e que fere pela estrela.
tortura a esperança
e inibi o movimento,
não me deixa falar dela.
sei que hoje, não quero pensar nela.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Não se assuste com o açougue

não se assuste com o açougue. nele só existem as coisas mortas que alimentam nós, os carnívoros.

pois se ano passado me vi ascensão; esse ano foi a mais louca queda pelo abismo. a altura não me deu vertigem, muito pelo contrário, as nuvens me impulsionaram para voar mais, mas o chão, quando chegou, não pediu licença.

estatelado então, você conhece a dor. aquela que pesa. a gente aprende a levantar, e seguir a diante. a gente se esquece que poderia tudo ser mais leve.

e quem diria que todo aquele papo bobo de 'plano de suicídio a longo prazo', com um isqueiro e marlboro na mão, daria tão certo num prazo não tão longo assim. tsc.

mesmo assim, não quero ser prepotente em dizer que aprendi, mas vivi.

vivi matando e sendo morto. e da vala que me enterraram, não me chamaram de zumbi, mas serviram minhas entranhas junto com minhas vítimas num jantar maldito na sala de estar.

certa mesmo estava a Má, uma amiga, ao falar que, se ano passado foi dois mil e catarse, esse foi dois mil e crise... pois é... pois é...

de qualquer forma sempre acreditei no poder do processo e da aprendizagem. 

se você quer ser bom em algo, estude até ser o melhor.

e nos processos de autodestruição, conheça seu deus:

'a porra de um maluco' era como eu sempre me apresentava.

e não que era de todo mal, afinal, aquele juvenil arrogante que começou a estudar alguns anos antes, se formou um pouco menos arrogante. minha filosofia pessoal era simples: não se importe com ninguém, e não deixe ninguém se importar com você, porque o buraco em que você quer se enfiar, ninguém vai gostar de ver.

hoje já não concordo tanto assim com isso assim,

viva e deixe viver, a vida nunca te prometeu nada.

"O que está morto não pode morrer, mas volta a se erguer mais duro e mais forte"- Oração comum do deus afogado, Casa Greyjoy

sei que estou grato e me perdoo. sentimentos que a muito tempo não sentia. me sinto bem comigo e me sinto bem por tanto e tantos. amo os poucos, mas aqueles poucos que eu sei bem.

pois bem, se você esta lendo esse texto até agora, é porque minimamente se importa, e é por isso eu agradeço.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Carta Suicida #47

Pelos anos aqui vividos, sei que, por meros protocolos sociais, tenho que escrever isso para demonstrar um pouco das minhas últimas considerações.

Mas, diferente de todas as outras 46 que já escrevi, desta vez vou ser diferente. Não vou falar sobre motivos, nem culpar pessoas pela minha decisão. Pelo contrário, irei apenas dar aquele adeus gostoso, como quando uma visita querida está indo embora, e você se despede, mas não quer que ela vá. Pois é.

Mas sempre pedem motivos. Quero ver minha vizinha velha dizendo:

— Você ficou sabendo? Moço bonito, jovem, com uma vida inteira pela frente...

Ou aquele conhecido da escola, comentando com preocupação:

— Eu estudei com ele... O que será que aconteceu?

Não os julgo. Sei que o inesperado e o diferente chamam atenção. Sei que não é hipocrisia. Eu realmente sou um jovem bonito com toda uma vida pela frente. Mas eu desisti. Assim como você desliga um videogame sem salvar, simplesmente porque não quer mais jogar.

Todos os pensamentos além disso são firulas sem sentido. No final, tudo vira estatística, números e dados. E, na real, é isso que importa de verdade.

Não sei ainda como será. Mas não quero atrapalhar sua viagem de metrô. Nem usar cordas, porque é algo muito forte e bruto. Também não quero usar armas brancas ou de fogo — muita sujeira. Quero algo rápido e que dê pouco trabalho para quem for limpar.

No meu funeral, não quero nada demais. Coxinha, talvez coxinha. Sempre adorei coxinha. Dizem que só quem gosta de verdade de você vai ao seu funeral. Tardia lição, mas concordo. Por isso, quero oferecer coxinhas às pessoas que forem. Como um último gesto de gratidão por terem me acompanhado até na morte.

Mas sem chororô. Quero ser lembrado. Apenas isso.

Quero ser lembrado como aquele cara engraçado, em quem você sempre podia confiar. Aquele amigo para todas as horas, que, por mais séria que fosse a situação, sempre contaria uma piada. Quem sabe, ela até viraria bordão para outras situações semelhantes. Ou não.

Quero ser lembrado como aquele cara beberrão. Pois é, eu gosto de beber. Cerveja, por favor. Quero ser lembrado como aquele cara criativo. Tive uma ideia! Quero ser lembrado como o seu melhor namorado. Quero que se arrependa de ter me feito chorar, mas também que se lembre dos momentos bons antes das crises. Quero ser lembrado como caloteiro. Acho que estou devendo uma grana por aí, mas agora estou morto e isso não importa mais. Mas, por favor, lembre-se de nunca mais emprestar dinheiro para caras como eu.

Quero ser lembrado pelos meus vídeos e textos. Massagem no ego.

Quero ser lembrado pelos inúmeros foras, tocos e bolos que me deram. Quero que se lembrem de que passei boa parte da minha infância e adolescência apaixonado por uma garota baixinha, de cabelo cacheado, que nunca quis nada comigo.

Enfim. Quero que, daqui a 50 anos ou mais, sentado em sua cadeira de balanço, relembrando o hoje, você se lembre de mim e diga:

— Onde será que anda aquele pilantra, hein?

Mas aí, cai a ficha de que estou morto. E que talvez não dê tempo de ler a carta número 48.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Melancolia

Sobre parar a alegria
e estado de não estar.
Depressivo.
Na vida, sentido não há.
Parar.
Não querer ficar.
Desistir.
Parar de ir.
Afastar.
Se esconder.
Não ter voz pra gritar.
Dor.
Ardor.
Não sentir.
Realmente parar.
Não querer.
Não saber.
Sem alegria.

Tudo isso
é melancolia.