segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O Evangelho Segundo o Diabo

O punho cerrado é meu pastor, e nenhum dente na boca do estômago lhe sobrará. 

Te deito na porrada nos verdes pastos da minha consciência e te afogo, manso e tranquilamente, no sangue da sua goela que esculpi em carmim. 

Congelo tua desculpa com ódio, e minha sentença transborda. Te guiarei pela vereda do inferno na tristeza e na justiça e não terei como ser amável sob essa decisão inapelável. 

Com minha vara, eu te maltrato calejado, e ao final dessa dança entendera porvir que não estou brincando só de vingança. 

Eu, que já andei pelo vale da sombra e da morte, te apresentarei todo o mal com muita dor por vir. Justificarei então meu nome em tua morte: serei eu quem te castigo. 

Preparei uma mesa diante do medo que tens de si. Ungindo tua cabeça com o óleo quente do pão que amassei pra ti. 

Certamente que minha maldade e minha iniquidade não terão misericórdia sob a tortura que te seguirei por todos os últimos malditos dias da tua vida.

Habitando em sofrimento na casa do diabo por longos e brutos dias.

Te amei.